Michel Teló, ame-o ou hate-o
(Esse texto está escrito há uns 5 dias, mas resolvi esperar a poeira baixar para publicá-lo, afinal o povo anda muito inflamado com o assunto e eu não queria ser mal interpretado)
Se você andou lendo o que publicam no twitter e Facebook nos últimos dias, é bem provável que tenha lido algo sobre o fenômeno Michel Teló, e ele ter sido citado pela revista Forbes como “a próxima grande coisa musical brasileira para o mundo” (não nessas palavras). A coisa degringolou quando o homem foi colocado na capa da Época, descrito como o cantor que “traduz os valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”. Teve gente defendendo, gente atacando, gente ofendendo os outros simplesmente porque não concordavam, enfim, li quase tudo, menos uma boa crítica construtiva e baseada em argumentos razoáveis. O problema dessa discussão é que ela está muito polarizada, basicamente uma guerra de opiniões entre empolgados versus bairristas.
A discussão inicial é se Michel Teló realmente “traduz os valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”, e segundo a (porra da) minha opinião, ele não traduz não! Sou nascido e criado em São João de Meriti, Rio de Janeiro, morei na Itália por um ano, ouço basicamente rock e música eletrônica, não curto sertanejo universitário nem de qualquer outro tipo, e definitivamente não danço como ele, portanto ele não me define. Isso se deve por uma obviedade que muita gente esquece: o Brasil é um País de proporções continentais. Aqui tem que ter espaço para o sertanejo, para o funk, para o samba, o pagode, o tecno-brega e para o rock. Lembro de uma entrevista do Caetano Veloso, em que ele foi perguntado se em vista do crescente número de artistas baianos fazendo sucesso em ritmos fora do axé (como Pitty no rock e outros exemplos que não lembro agora), o que ele achava de uma possível hegemonia baiana na música brasileira, e sua resposta foi “Tomara!”. Quanta bobagem, hein Caê? Só baiano é que sabe fazer música agora? Claro que não. Num país do tamanho do Uruguai talvez isso valha, mas no Brasil definitivamente não. Os perfis de quem ouve do funk carioca, calypso (o ritmo em geral, não a banda do Chimbinha), forró, heavy metal, samba de raiz, música gaúcha e indie são completamente diferentes, e em alguns extremos totalmente incompatíveis.
Se eu for pra fora do Brasil e alguém me perguntar se é verdade que Michel Teló é o maior sucesso por aqui, eu vou responder algo mais ou menos como “Michel Teló é um cantor de sucesso, para um público específico e bem numeroso. Mas isso não significa que ele seja unanimidade. Existem diversas vertentes musicais no meu País que não se identificam com ele”.
Portanto, vamos parar de palhaçada, gente. Michel Teló e a produção por trás dele são mentes inteligentes, que pegaram uma música de fácil assimilação, deram uma roupagem um pouco mais moderna e bem produzida, lançaram dois meses antes do verão e agora estão colhendo os frutos mais do que merecidos de uma boa estratégia comercial, para horror de gente de mente pequena, como o hermano Bruno Medina. Acho aliás, que esse é o maior problema aqui: o hit de Teló é tão popular, que ficou impopular (para entender um pouco melhor o trocadilho, recomendo MUITO esse videocast do Rene de Paula Jr.).
Se Michel Teló for para a Europa fazer shows para gringo ver (e você acha que não?) ele estará apenas ganhando dinheiro honestamente com o próprio trabalho, hábito que aliás eu recomendo muito pra quem andou discutindo TANTO sobre isso ultimamente.
Feliz Ano Novo!
É isso aí, gente! Acabou mais um ano (o ano que passou mais rápido EVER), e com ele todas aquelas resoluções para o próximos, promessas e planos. Não importa se você fez promessas, planos, resoluções, estimativas ou o que seja, desejo a todos os que me são queridos (vocês sabem quem são) um ano novo repleto de certezas, de conquistas, de “sim”.
Deixo para vocês um vídeo motivacional que, não é exagero dizer, mudou minha vida. Assisti esse filme num momento crucial da minha vida, e foi parte da mola no fundo do poço que me fez pular alto, forte, firme, e recuperar algo dentro de mim que eu havia deixado terceiros apagarem.
Rocky Balboa:
“History Of Lyrics That Aren’t Lyrics”
O Estúdio Equal Sonics de NY resolveu se divulgar com um vídeo bem interessante. “History Of Lyrics That Aren’t Lyrics” mostra um simpáico trio tocando trechos de várias músicas com “nanana”, “lalala” e derivados.
Bacana, né? Me lembrou aquele vídeo das trinta e tantas músicas com 4 acordes…
Impressões sobre o RockinRio
E chega ao fim mais um RockinRio ô-ô-ô-ô. Entre erros e acertos, a organização mostrou que aprendeu com os erros de edições anteriores, tanto pela qualidade das atrações como pela infraestrutura. Destaco aqui os principais pontos fortes e fracos de acordo com a porra da minha opinião:
- como eu falei anteriormente, foi um acerto escalar o Metallica como atração principal da noite do metal. É com folga a melhor banda de metal em atividade hoje, e vinha de uma excelente turnê de divulgação de um álbum fantástico.
- chega de Guns and Roses. Sério, não dá mais. O festival teria terminado BEM melhor se fosse com Foo Fighters, por exemplo. Aquele grupo que fechou o festival está seguindo o mesmo caminho do Iron Maiden: um cover de si mesmo. Ninguém tá nem aí pra formação ou pras músicas novas, e o público é, em sua essência, uma multidão de saudosistas. Se Axl acha que com aquela voz e aquela performance ainda está com cacife pra ficar dando dor de cabeça para os organizadores, está na hora do clã Medina dizer “I have the money, I MAKE THE RULES!”.
- excelente escolha colocar grama sintética e não grama de verdade. Não faço idéia da diferença de preço entre os dois, nem imagino qual é mais caro e qual é mais barato, mas grama sintética não faz lama na chuva e não suja a roupa! Simples assim!
- por mais que brasileiro goste de falar mal das autoridades, em maioria pra mostrar uma rebeldia sem causa, o fato é que os órgãos resonsáveis pelo trânsito e transporte coletivo cumpriram sua missão satifatoriamente. Claro que num evento com 100 mil pessoas sempre tem um ou outro que ficam insatisfeitos, mas os ônibus rodavam ininterruptamente, o preço não foi abusivo e mesmo quem vinha de fora conseguiu chegar e sair sem maiores complicações.
- atrações que não são de rock sempre tocarão no RockinRio, aceite. Sabe porque? Porque o Roberto Medina não é a Madre Teresa de Calcutá, seus imbecis! Ele não está aqui pra fazer caridade, é um empresário e está aqui pra ganhar dinheiro! E Ivete Sangalo, Ke$ha, Kate Perry e Rihanna trazem público, muito público. Afinal, vocês acham que se eu fosse o organizador do evento não colocaria esse povo todo na programação também?
- é preciso repensar o critério para colocar bandas no Palco Sunset e no Palco Mundo. Acho que nunca vou concordar com os palcos onde Gloria e Sepultura tocaram, por exemplo.
- o patrocínio não foi invasivo como na edição de 2001, o que me deixou bem satisfeito. Lembro que absolutamente TUDO à minha volta tinha a logo da Nova Schin e da AOL (outros tempos), não respeitando identidade visual de nada.
- apesar das longas filas, a roda gigante, a montanha-russa e a Rock Street foram ótimas opções para mantes o povo entretido enquanto sua atração favorita não tocava.
É isso aí, agora é esperar a edição 2013. Quem vai? o/
A noite que não vai acabar
Esse post não tem a menor pretensão jornalística. Se você quiser saber como foi o dia do metal (25/09) com detalhes e números, tem uma pá de jornais e portais por aí onde você pode achar essas informações. Esse texto está sendo escrito por um garoto de 15 anos, gordinho e cabeludo, que deu seu último grito adolescente na noite de ontem.
Cheguei ao RockinRio propositalmente depois da abertura dos portões (estou ficando velho, minha paciência pra multidões está caindo progressivamente), encontrei uns bons amigos e fui direto para o Palco Sunset conferir o Angra. O excelente show que eu já tinha visto antes contou com a participação de Tarja Turunem, aquela ex-vocalista daquela banda. Show bacana, foi a vez do Sepultura subir ao palco pra engrossar o caldo. Não dá pra negar: o que falta em estúdio os caras compensam ao vivo. Apesar de só conhecer meia dúzia de músicas, curti estar no meio da multidão fanática (tinha um cara na minha frente que cantou todas as músicas). Escureceu e partimos para o Palco Mundo, onde o tal Coheed and Cambria fazia um show competente, com uma pegada até oitentista. Não sei se é o tipo de banda que eu viraria fã mas confesso que deu pra curtir bastante, apesar de o melhor momento do show ter sido um cover (The Trooper, do Iron Maiden).
Aí a coisa começou a ficar boa. Lemmy sobe ao palco e eu me emocionei. Lembrei de quando tinha minha banda na adolescência e tocávamos Kill by Death. Curti o show como um show do Motörhead deve ser curtido: gritos, palavrões e cerveja. Na sequência sobe ao palco a surpresa da noite pra mim: Slipknot. Confesso que sempre tive um preconceito com os caras; aiás, com qualquer banda cujo apelo visual seja igual ou maior que a música. Com minha arrogância típica de quem desvaloriza a geração seguinte, nunca tinha levado o Slipknot a sério. Até ontem. Uma platéia eletrizante, um repertório poderoso, performance de palco idem, e todos cantando em uníssono, como só se vê em shows de grandes bandas. Agora eu respeito os caras.
As horas foram passando e o momento ia chegando. Quando os acordes do tema de “The good, the bad and the ugly” iniciaram, uma transformação ocorreu. Voltei no tempo, diretamente para o dia em que um amigo foi na minha casa com um VHS “de um show muito foda que você tem que ver!”. Era o tape do festival russo “For Those About to Rock Monsters” onde o MetallicA fazia a melhor apresentação de sua carreira até então. De lá pra cá, foram muitos shows da minha banda tocando “Fade to Black”, muitas camisas compradas, muitos DVDs, muitas horas de YouTube, muitas unhas roídas na expecitativa do show, e muita emoção.
A organização do RockinRio corrigiu ontem um erro hitórico ao escalar MetallicA e não Iron Maiden. O que os britânicos do Iron fizeram, como bem observou Tom Leão na cobertura do show do Metallica aqui no fim dos anos 90, foi adaptar o som da NWOBHM para uma estética mais história-em-quadrinhos e veloz. Ao invés disso, o Metallica juntou o punk com o metal para criar o trash-metal como o conhecemos hoje, além de ter criado o melhor álbum de metal dos anos 80 (para alguns, de all time): Master of Puppets.
Para mim foi a realização de um sonho, pois como eu falei no Tockaí c/ meu amigo Leonardo Paiva, eu e o grupo sempre nos desencontramos. Fui para a Itália apenas um mês depois de um show deles em Roma, eles vieram ao Brasil quando eu não estava aqui, e voltei para o Brasil apenas 2 meses antes de um show deles em Milão. Mas isso é passado. O que existe agora é o show que ainda está acontecendo na minha mente. Foram anos e anos de um sentimento traduzidos em duas horas de gritos, canções, refrões e solos de guitarra. E de alguma forma, eu sei que eles sabem que eu estava lá.
Como chocar toda uma geração
Como se não bastasse, essa loirinha de moleton (de moleton!!!) é casada com o Jonny Depp.
via @fagundes





